Assim que o bebê nasce e durante os próximos dois a três meses após o
parto, a mulher passa pelo estágio de puerpério que consiste em um momento de
novas experiências físicas e psicológicas. É importante que a mulher tenha consciência
das complexidades desta fase, consiga se estruturar e se preparar da melhor
forma possível, pois, é neste contexto que se inicia e se estabelece o
aleitamento materno.
O puerpério era denominado popularmente como “resguardo” e culturalmente
na antiguidade os povos reconheciam a sua complexidade. Esta fase era
radicalmente respeitada pelas famílias e intuitivamente proporcionavam à nova
mãe o merecido repouso e resguardo
às tarefas sociais e domésticas. No decorrer dos anos, estas famílias foram se
tornando cada vez mais nucleares (pai-mãe-filhos). A ausência diária de outros
parentes próximos e amigos fez com que a ajuda necessária para o resguardo da
mulher no puerpério ficasse cada vez difícil. Por vezes, a mulher moderna é
obrigada a retornar precocemente aos afazeres domésticos, o que não ocorria
antigamente.
Conseqüências da atualidade que atrapalham o aleitamento materno:
- Excesso de
tarefas: falta de ajuda e suporte no lar e do serviço de saúde para que a mãe
possa cuidar de si e do recém nascido, ausência de apoio do companheiro,
familiares ou amigos, fadiga física e psicológica.
- Ausência de
um modelo para seguir, ou seja, não ter convivido com mulheres que amamentaram
como pratica benéfica e natural.
- Desejo
materno de retomar as atividades fora do lar (amamentar restringe algumas das
atividades externas da mulher);
- Estar
temporariamente impedida de desempenhar vários papéis ao mesmo tempo: de mãe de
outros filhos, esposa, dona-de-casa, profissional, estudante e outros;
- Receber orientações
confusas e muitas vezes incorretas de meios de comunicação que estão facilmente
à disposição das mães modernas.
- Bico de
borracha oferecido de forma desenfreada e corriqueira;
- Baixa autoconfiança:
insegurança quanto ao seu desempenho materno, confiar mais na mamadeira do que
o próprio leite.
Algumas dicas:
- Se poupe de
trabalhos desgastantes. O importante é
sempre que possível delegar tarefas, estabelecer prioridades às ações. Têm
serviços que podem esperar. Aquela que quer ser “super” em tudo acaba
estressada, nervosa, irritada, cansada, desentendendo-se com todos que a
cercam.
- A função de
cada um (mãe, pai, filhos, avós) deve ser discutida na gestação: a parte
prática, administrativa, o esquema de trabalho e o recém nascido.
- Analise o ambiente de seu lar e consiga
meios para dormir. Para que seu leite seja suficiente para seu bebê, você
precisa e deve descansar.
- Não tente
impor normas rígida ao bebê nem a si própria. Procure ficar tranqüila. O bebê
chora e avisa se algo não está bem. O bebê deve mamar no momento e hora que ele
desejar e você devem estar preparada e tranqüila para isso.
Lembre-se que apesar do resguardo da mulher ter sido mais respeitado na
antiguidade, hoje no mundo moderno isto pode ser resgatado e, além disso,
podemos usar de toda tecnologia para o benefício nosso e do bebê.


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